Total Mulenvos quer ajudar famílias na prática agrícola no Belo Monte em Cacuaco.

Camponeses afirmam que é possível sobreviver da agricultura familiar, nos pequenos campos abertos na capital do país e apontam as dificuldades na aquisição dos produtos.

A produção de hortaliças nos pequenos campos abertos no solo fértil dos Mulenvos de Baixo, tem sido nos últimos dias fonte de sobrevivência de muitas famílias, que se dedicam à prática do cultivo de hortícolas apesar de inúmeras dificuldades na aquisição dos produtos.

Falando a este jornal, os camponeses manifestaram as dificuldades que enfrentam na obtenção dos produtos químicos que servem de de auxílio e cuidado para as culturas, porém, para quem empreende tal esforço no dia a dia, o mais importante é garantir o pão dos parentes, sem necessidades de recorrer ao roubo, prática comum nas localidades do Belo Monte, Pedreira, Paraíso e arredores do distrito Urbano dos Mulenvos de Baixo. “O terreno pertence às bombas, nós não pagamos nada, trabalhar aqui depende de cada um e como entende o trabalho, vale a pena trabalhar porque com o pouco que sai aqui dá para fazer alguma coisa em casa. Agora para aqueles que não gostam de trabalhar é preciso ter um pouco de paciência, senão, vão roubar”. Disse um dos agricultores.

Carentes de alguns materiais de trabalho e fertilizantes, apontam o difícil acesso na aquisição dos fertilizantes, sementes e os medicamentos que servem de preparação da terra e protecção das culturas, como a principal dificuldade enfrentada nesta fase em que os preços nas diversas esferas do mercado formal e informal no país sobem a cada dia. “nós compramos os medicamentos no Siac, Trinta, Funda e Kikolo, é difícil, um litro de «camate, ondjiva,…» está quinze a dezasseis mil Kwanzas, enquanto que no passado comprávamos a dois mil e quinhentos kwanzas. O governo pode ajudar se baixar os preços.” Recomendam 

Muitos lavradores no terreno, já  perderam a esperança de um dia merecer um apoio do governo nessa atividade, por entenderem que suas dificuldades já foram muitas vezes reportadas, mas de lá para cá, nem água vai, nem água vem…

A couve, jimboa, a rama de batata doce e o alface são os principais produtos cultivados pelos homens e mulheres que honestamente procuram ganhar o pão diário por meio desta prática, que requer um esforço físico para garantir que as verduras cheguem à mesa das famílias sem grandes custos. “dizem que quem procura acha, mas, aqui não temos mais como falar, cada vez mais fala-se disto, mas, nunca apareceu ajuda, só prometem amanhã, amanhã e continuamos com as mesmas dificuldades”

Alguns desconhecem os verdadeiros donos das quintas (terras) onde fazem esta  prática, mas, a necessidade da procura do que comer, importa mais do que saber de quem são as reservas vedadas a muitos anos.

Durante a nossa estada no local, compradores vinham de diversas zonas de Luanda a procura dos produtos para serem revendidos nos pequenos mercados informais das suas localidades e, com isto, garantir que o pão não falte a mesa dos filhos, como é o caso da senhora que deslocou do Malueca, não pela primeira vez, para comprar pelos menos um canteiro de jimboa para revender no seu bairro. “Comprei um canteiro de zimbóua e estou a tirar, vim do Malueca e sempre compro aqui, assim comprei este canteiro a mil e trezentos Kwanzas, ao revender posso já ganhar dois mil kwanzas”

Mesmo sendo artesanal, esta actividade é recorrente nos campos vazios (quintais abertos e não habitados), na zona das 500 Casas, Mulenvos, SIAC- Cacuaco, Belo Monte, Rio Seco e Desvio do Sequele.

Osvaldo Duarte investidor no ramo de combustíveis e gerente das Bombas Total-Mulenvos, que tem cedido sua reserva de terra a alguns camponês para o cultivo, falou do seu interesse em investir no sector da agricultura no belo Monte, (Cacuaco).

“Nós plantamos de tudo um pouco, já experimentamos a couve, alface, quer dizer, já estamos a experimentar tudo que o campo pôde nos oferecer, nessa altura estamos a experimentar o tomate também e vamos ver aonde vai dar, mas a intenção é aproveitar de tudo para plantar. No Belo Monte o problema da água não tem comprometido quanto a agricultura, mas também, dizer que está tudo bem seria mentira,… mas, estamos a fazer de tudo para que a agricultura surja à cercania do Belo Monte”.

A boa vontade leva este gerente a tirar das suas poupanças para beneficiar as pessoas, apesar de admitir que é difícil. “Associar o combustível com a agricultura tem sido positivo é, do combustível que conseguimos suprir as necessidades”

Com vontade de dar mais forças a este sector no município, Osvaldo Duarte que reconhece a potencialidade do município de Cacuaco para o investimento de negócios, em particular o Belo Monte, lamenta a falta de infraestruturas e vias de acesso.

“O município de Cacuaco, estou a falar propriamente do Belo Monte, tem um potencial para investimento, é uma pena, temos tido dificuldades de quase tudo, a falta de infraestruturas, falo do acesso a estrada… nós não temos estrada, aproximadamente dois anos já me estragaram duas viaturas só para ter noção das vias.”

Para Duarte, e apesar dos obstáculos é importante ajudar a população do neste município com aquilo que for possível. “O investimento aqui é precário mas temos que levar alguma coisa aos munícipes mesmo com tantas dificuldades, nós tentamos levar aquilo que é possível, não temos como às vezes trazer aquilo que é essencial. Temos pouca visão dos nossos governantes aqui, eu não peço muito mas, agradeceria, se o governo olhasse este povo com estrada, educação, porque este povo precisa, está aqui e sobrevive com aquilo que é possível”. 

Recorde-se que apesar das dificuldades esta atividade acontece sempre a cada tempo seco e tem ajudado muitas famílias a manterem a subsistência.

Por: Adão dos Santos e Benhão Sapo

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