Reflexão: Estou Preocupado (II) Pr. José Evaristo Abias

Ezequiel 33: 7 “… eu te fiz uma sentinela para a nação…; por isso ouça a minha palavra, e advirta-os em meu nome. 8 Quando eu disser ao ímpio que é certo que ele morrerá, e você não falar para dissuadi-lo de seus caminhos, aquele ímpio morrerá por sua iniquidade, mas eu considerarei você responsável pela morte dele. 9 Mas, se você de fato advertir o ímpio para que se desvie dos seus caminhos e ele não se desviar, ele morrerá por sua iniquidade, mas você estará livre da sua responsabilidade”.

Pastor José Evaristo Abias

Diz o adágio: Quem não aprende com a história se propõe a repetir os mesmos erros. Não é normal para seres racionais deixar de evoluir no aprendizado. A pro-actividade e a prevenção caracterizam uma liderança visionária. À semelhança de toda a África, e não só, reclamações e conflitos eleitorais e pós-eleitorais são recorrentes. Assim, os políticos com particular realce aos legisladores, deveriam se preocupar com leis preventivas e pro-activas e não com leis que os protejam de prestar contas e serem responsabilizados; com leis que os mantenha ou leve ao poder. Creio que o desejo de se chegar ou de manter no poder e não o serviço e a construção de um ambiente de paz e harmonia e um futuro melhor para a nação, tem dominado as agendas dos partidos. Estou lembrado dos tempos da guerra fria, na luta pela hegemonia uns diziam “nós fazemos a guerra para acabar com a guerra” e outros respondiam que “nós temos que impor a paz ao mundo ainda que para isso recorramos à guerra”. Nunca percebi a diferença entre as duas filosofias. Na visão de Jesus fazer guerra só provoca mais guerra e paz imposta é uma forma de repressão. É por isso que mesmo sendo criador e soberano Ele diz: ‘eis que estou à porta e bato e se alguém abrir, entrarei…’. A guerra se evita praticando a justiça e a paz é resultado natural de uma sociedade justa e íntegra. Depois das experiências eleitorais passadas, será que somos tão ‘cabeças duras’ que não conseguimos aprender nada? No meu entender como leigo que sou na matéria, ser legislador deveria implicar preocupação com o país e não com o poder, com os partidos ou com os benefícios pessoais! Melhor os do governos não fazerem leis como se fossem permanecer no poder nem a oposição como se nunca viesse a governar. Os papéis podem mudar! Discuta-se a lei eleitoral e outras nesta perspectiva.

“Faça o que digo e não o que faço” parece o procedimento normal dos que dirigem (políticos ou sacerdotes). Já dizia Sigmund Freud “O estado proíbe ao indivíduo a prática de actos infractores, não porque deseje aboli-los, mas sim porque quer monopolizá-los.”

A luta pelo poder ou pela sua manutenção não é problema exclusivo dos políticos. É própria na natureza humana egoísta e pecaminosa. Aqui só quero apelar a todos os cristãos, principalmente aos sacerdotes: sejamos diferentes para fazer diferença, sejamos praticantes e não somente leitores ou ouvintes. Só assim seremos capazes de inspirar e influenciar mudanças e condutas transformadoras. Sei que a Igreja de Jesus subsistirá pois nem mesmo “as portas do inferno prevalecerão contra ela”. Mas a desobediência traz castigo e sofrimento porque Deus não tolera a iniquidade, pior ainda se praticada pela Igreja. O julgamento divino será mais severo para os que têm mais conhecimento. De Deus não se zomba. Tudo o que o homem semear isso mesmo colherá.

Tenho observado que, para parecer legal o que se faz, mudam-se os estatutos, mudam-se as constituições. Em África, quando existe conflito entre a o rei e a lei, muda-se a lei e não o rei; acomoda-se o rei porque o rei é intocável, ou que seja, o rei é a lei. Lamento dizer que nem tudo o que é legal é legítimo; nem tudo o que é legal é justo. ‘Quem é enganado é ingénuo mas quem se engana a si mesmo é estúpido’. Não quero acreditar que temos um país onde todos somos ingénuos ou estúpidos.

Desafio os membros do executivo, do judiciário, do legislativo e do clero a votarem na retirada de todos os privilégios, benefícios e im(p)unidades das suas posições e a ficarem vivendo de salário como quaisquer outros cidadãos comuns; aposto que o poder será menos atractivo! Seria uma forma de provar que querem o poder para servir.

Quando servir for uma missão, uma vocação; quando o salário e benefícios mensais do par(a)lamentar deixarem de ser iguais ao salário anual de 50 trabalhadores com salário mínimo (isso é imoral); quando o salário mínimo der par viver com dignidade e o salário máximo da função pública não mais cobrir as extravagâncias e a ostentação exacerbada; quando se tiver consciência que todos têm a mesma dignidade, as mesmas necessidades de alimento, de saúde, de educação, de habitação, de transporte e de lazer; quando houver equidade e justiça na justiça e não mais se seleccionarem bodes expiatórios; quando todos forem iguais perante a lei e a lei for igual para todos; quando os recursos naturais que Deus colocou no país deixarem se ser para usufruto só de alguns e forem investidos no desenvolvimento do país e no bem-estar de todos os cidadãos; quando a mensagem do Evangelho for pregada para transformação de corações, levando os crentes a serem e viverem como novas criaturas; quando os pregadores do Evangelho deixarem de manipular e mercantilizar a mensagem prometendo aos fiéis o que nem mesmo Deus promete; quando a prosperidade espiritual tiver a primazia e a prosperidade material ou mesmo a saúde deixarem de ser a razão de adesão à Igreja; quando sacerdotes inescrupulosos deixarem de ‘comer a gordura das ovelhas’, e forem mais pastores do que reverendos;

Então o país experimentará PAZ, HARMONIA, IRMANDADE e o DESENVOLVIMENTO; Então os povos de regiões com mais recursos deixarão de pensar ou lutar por autodeterminação ou independência e não se dividirá o país em nome de dividendos políticos ou apetência económica mas em nome de um melhor serviço; Então em vez dos nossos jovens emigrarem desesperados para Europa e América, se envolverão sacrificialmente na construção do seu país; Então a esperança se renovará, a justiça florescerá e todos ostentaremos o orgulho de ser angolanos; Então as ideologias perniciosas não precisarão ser combatidas porque já não terão adeptos.

Nos cansaremos lutando contra as moscas. Se tivermos coragem de remover o lixo elas desaparecerão naturalmente. Nos cansaremos de lutar contra a corrupção. Se apostarmos em transformar os homens em novas criaturas, a sua nova natureza será naturalmente adversa à corrupção. Nos cansaremos tentando recuperar os valores morais. Se tivermos a ousadia de desafiar a imoralidade com o nosso próprio viver, o nosso exemplo fará mais do que o nosso discurso. Afinal ninguém dá o que não tem.

Que Deus no dê sabedoria, discernimento, humildade e coragem para reflectirmos a sua imagem. Tem mais dignidade que confessa e se retrata do que aquele que escamoteia os seus erros. “O sábio tem vergonha dos seus erros e não de os corrigir e, a melhor forma de se ser feliz é contribuir para a felicidade dos outros”

A Deus toda a honra e toda a glória!

Salmos 53: 2 Deus olhou desde os céus para os filhos dos homens, para ver se havia algum que tivesse entendimento e buscasse a Deus. 3 Desviaram-se todos e juntamente se fizeram imundos; não há quem faça o bem, não há sequer um. 4 Acaso não têm conhecimento estes obreiros da iniquidade, os quais comem o meu povo como se comessem pão? Eles não invocam a Deus.

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