O SILÊNCIO DOS GAGOS… A METÁFORA APODRECIDA.

Como não, senhora Cerqueira?

Lembro-me que, antes de chegar ao cargo que possui agora, de Ministra de Estado para os Assuntos Sociais, Carolina Cerqueira também já teve em sua linda posse a pasta de Ministra da Cultura, sector que tem uma lisa relação com a Educação, pois me parece que houve algum litígio entre a governante e alguns tópicos de cultura-geral.

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Carolina Cerqueira Ministra de Estado para Área Social

Entretanto, por gozar de valências acadêmicas e profissionais, que conheço, assusta-me saber que uma pessoa com a idoneidade da, também Ex-ministra da Comunicação Social, veterana da Rádio Nacional de Angola ainda lhe permite tentar descavar argumentos ilógicos, contraindicados cientificamente inclusive, para escamotear a culpa do governo que faz parte, perante o aumento da criminalidade.

Dizer que “a pobreza não deve justificar o aumento de crime nas famílias”, ou seja, a pobreza não pode ser motivo para que as pessoas delinquam ou pratiquem actos contrários à lei, sobretudo se tais palavras vierem de alguém com o nível, não vou dizer intelectual, académico da senhora ministra de Estado, visto que possui o mestrado em Direito e Ciência Política, pela Universidade Agostinho Neto, segundo apurei, é uma bárbara desculpa deslavada, descabida e a pura certeza que desconhece as mais diversas reacções que pode brotar de um indivíduo que acorda vendo-se a si mesmo e aos seus sem terem nada para matar a desagradável fome.

Não me quero delongar com a minha manifestação de espanto e assombro, face tamanha mentira, mormente por vir de alguém como a dona Carolina.

Vamos mentir bem o povo, pobreza contribui sim para todo tipo de problema social, como a criminalidade, a prostituição, o abandono escolar e todo ou qualquer outro mal que inferniza uma sociedade.

Por vontade própria que te pareciam vozes a martelarem a sua cabeça e a dizerem que não deves abandonar as trincheiras, pois a vida jamais deixará de ser guerra. Mas a pobreza é fruto da má gestão.

Hoje quase chorei ao ler o seu posicionamento quanto à marginalização.

A forma quase persecutória como “policiavas” o aumento da criminalidade nas famílias tendo como base a pobreza, fosse à mesma usada sobre a lataria de políticos que colocou o país de nádegas feito com o vibrador da crise que enrabicha Angola e os angolanos de terceira, todos os dias teriamos no nosso país um “Wikileaks”, um “Panama Papers”. E o you tube, facebook, snapchat, whatsapp, estariam cheios de denúncias escandalosas sobre os desvios astronômicos de “Kumbú”. Mas como quem rouba milhões tem geralmente muita pólvora para abrir caixões, fica mais fácil disparar contra quem mal consegue defender-se, haja justiça social e haverá cada vez menos pessoas abandonarem a criminalidade e menos mulheres a baixarem o bikini por uma pizza ou um rádio cassete. Salvo se for só mesmo por vício, prazer ou diversão. É só distribuir bem a riqueza. O país tem que baste (!)

A senhora ministra lembra a situação do Lubango? Se não faço-lhe lembrar! Há populares que foram desalojados para erguer-se no lugar um supermecado Kero. Na zona aonde foram “reassentados” os populares não havia condições de habitabilidade. “Chavola”, ” Podre” no vernacular umbundu.

Ninguém disse nada. O que se esperar?

Paprosápias de moralismo papelísticos, com inspirações inflamadas?

 Danilo comprou relógio de 500.000 euros, enquanto as populações vítimas das enxurradas no Lobito, até hoje continuam por realojar, e a promessa de casas a boiar no ar.

Deus nos acuda. Se o nosso cérebro só é capaz de se preocupar com cenas dos “efeitos-malicioso” Enquanto as bocas passam bem sem pão para a maioria, enquanto a própria maioria se deixa fintar com esses dribles… Que nos fazem esquecer o quanto se aproximam mais umas eleições…

Se assim o é, então sede todos bem-vindos à República onde se combate os efeitos e se esquece das causas, enquanto o destino do dinheiro de todos, que coloca todos a correr para o caixão da frustração, não merece atenção daqueles que sofrem as consequências. Somos de facto especiais!

É como se alguém inspirado em Agostinho Neto, nos andasse a dizer na boa veia literária de José Agualusa: “Angola foi, é, e continuará a ser, mas por vontade imprópria (para cardíacos)”…

É com grande estima que lhe escrevo e na ansiedade de poderes achar as minhas palavras como suco patriótico.

 Saudações patrióticas!.

Por: Leonardo Ngola

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