“O museu expõe o património material e imaterial da Humanidade”

O Dia Internacional dos Museus é celebrado hoje. A data é celebrada anualmente desde o dia 18 de Maio de 1977, por proposta do Conselho Internacional de Museus (ICOM), organismo da UNESCO. Para falar sobre efeméride o Jornal de Angola entrevistou a directora do Instituto Nacional do Património Cultural, Cecília Gourgel, que falou sobre o estado actual dos museus em Angola e dos projectos estão a ser preparados para estes superarem os novos desafios trazidos pela modernidade. Cecília Gourgel classificou o museu como um espaço onde se “expõe o património material e imaterial da humanidade”.

Cecília Gourgel directora do Instituto Nacional do Património Cultural

O que é hoje um museu?
É uma instituição permanente sem fins lucrativos, ao serviço da sociedade e do seu desenvolvimento, aberta ao público, que adquire, conserva, investiga, comunica e expõe o património material e imaterial da humanidade e do seu meio envolvente com fins de educação, estudo e diversão (deleite).

Como os profissionais dos Museus lidam com esse conceito de museu hoje, particularmente neste período de pandemia?
O Dia Internacional dos Museus oferece a oportunidade para os profissionais dos Museus conhecerem o público e alertá-lo para os desafios que os museus enfrentam, dai que o ICOM anunciou o tema do Dia Internacional dos Museus: “O futuro dos museus: recuperar e reimaginar”. Convidando os museus, os seus profissionais e as comunidades a criar, imaginar e partilhar novas práticas de criação de valor, novos mo-delos de negócio para as instituições culturais e soluções inovadoras para os desafios sociais, económicos e ambientais que estão por vir.

Já temos um público educado? A que se deve?

Sim, o público que visita os Museus é educado e deve-se à realização de iniciativas de Educação Museológica dirigidas aos mais variados tipos de público, na sua vasta maioria, gratuitas. E a comemoração do Dia Internacional de Museus visar o fomento das discussões do campo museal e inspirar os eventos propostos pelas instituições.

Os museus angolanos continuam a ser, como dizem alguns jovens, o local para “coisas velhas”? Qual a sua opinião sobre este conceito? Como o jovem deve ver o museu? O que as direcções destas instituições podem fazer para atrair mais público?
Não, os Museus angolanos deixaram de ser vistos como local de “coisas velhas”. O público ao longo destes anos de Paz efectiva, aprendeu a valorizar estes espaços. E o tema escolhido pelo ICOM, “O futuro dos museus: recuperar e reimaginar”, propõe, justamente, a reflexão sobre o futuro dos museus para desmistificar alguns conceitos. Porém, só é possível inspirar o futuro dos museus se existir um compromisso criativo com o presente.

O projecto de criar museus comunitários, adaptados as histórias e realidades de cada um dos municípios da capital, como está actualmente? Com o processo de fusão dos Ministérios da Cultura, Turismo e Ambiente, esta iniciativa que se destina a promover processos museológicos em pequenas comunidades visando à preservação da memória e do património cultural local e à criação de museus comunitários (nas tipologias virtual) carece de uma avaliação, primeiramente entre as direcções dos Museus e o Instituto Nacional do Património Cultural e posteriormente ser remetido à consideração da Direcção do MCTA.

Uma boa parte do acervo histórico do país foi saqueado, no caso do Museu do Dundo, alguns perderam-se com a guerra. Que diligências têm estado a ser tomadas para os reaver?

O Governo angolano pretende o regresso do património cultural com origem em Angola de acordo com às convenções internacionais sobre o património histórico, nomeadamente “a convenção sobre a proibição da exportação ilícita de bens culturais e a convenção da UNESCO sobre a exportação em casos de conflitos armados”. A temática da exportação e da devolução dos bens culturais é antiga e insere-se nas relações bilaterais entre os países, sendo uma via salutar para homenagear as relações culturais, na devolução daqueles bens que se entende e que estejam confirmados como sendo pertença de Angola enquanto país e enquanto Estado e que devem ser reintegrados no Museu.

Hoje vivemos na era das novas tecnologias. Os nossos museus já têm um sítio onde um turista, interessado em vir ao país, possa consultar, para conhecer mais sobre estes antes de os visitar?
É um trabalho que esta em curso. Na verdade, já antes da pandemia alguns museus projectavam o espaço digital e a diversificação do seu público. Alguns museus têm paginas nas redes sociais (plataformas digitais) que os turistas podem consultar e interagir com os profissionais destes museus.

Que futuro perspectiva para os museus angolanos?
Um futuro promissor, pois Angola está a modernizar os museus e o digital  tornou-se, com as portas dos museus fechadas, por força da Pandemia do Covid-19, no recurso imprescindível.

O conceito de museu moderno é algo que já domina a maioria da Europa e América e no caso de Angola, quando poderemos implementar estes princípios?
Em Angola, nos museus nacionais e regionais, as equipas são pequenas, com poucos recursos, algumas com poucas competências na área digital. A ideia de “fazer cada vez mais, com menos recursos” não é possível para um trabalho de comunidade e de continuidade nos museus. Existe uma necessidade de maior cooperação com outras entidades para transferência de conhecimentos, um investimento nas tecnologias de informação, a possibilidade de criar projectos-piloto, a promoção do acesso através do investimento na digitalização dos acervos. E, mais do que digitalizar, pensar que histórias se podem contar a partir dessas coleções digitais. Isto implica o reconhecimento das fragilidades e políticas públicas assertivas.

PERFIL
Cecília Maria dos Santos Gourgel Bernardo

Filiação
Carlos Guilherme do Amaral Gourgel e Efigénia da Silva Santos Gourgel

Província: Luanda

Estado Civil. Casada

Data de Nascimento: 29/07/1968

Dados académicos
1977- 1981 Frequentou o ensino primário na Escola São José de Cluny.
1981- 1983: Frequentou o ensino secundário (5ª e 6ª Classes) na escola N’gola M’zinga.
1983- 1985: Frequentou o ensino secundário (7ª e 8ª Classes) na escola N’zinga M’bandi.
1985- 1990: Frequentou o Instituto Médio de Economia de Luanda (IMEL), Curso Médio de Planificação e Gestão.

Fonte: Jornal de Angola

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